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Conselhos para os outros.

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É esse o pensamento. - digo encerrando a longa conversa.
Engraçado como para dar conselhos estamos cá todos. Como para lidar com os problemas dos outros estamos todos prontos e com as armas prontas para combater a dor. Dor essa que não é nossa  não sentimos. É meramente hipotética, é como um conto de fadas que a avó nos conta e nós imaginamos como seria viver aquele amor eterno. Mas que não sentimos nunca.
Precisas de um conselho, bem eu tenho 1 milhão para te oferecer. E para a dor verdadeira? E para essa dor que carregas ao peito, se é que ainda o tens? E para reconstruires os teus sentidos e sentimentos onde está a receita milagrosa.
Perdemos tanto tempo à procura que alguém nos ouça no meio da multidão de berros silenciosos que nós próprios gritamos que nem conseguimos distinguir a nossa verdadeira voz.
Ficamos tão surdos de dor que nos esquecemos que também nós somos bons conselheiros e que apenas nós sentimos a dor de sofrer esta dor, esta dor que tratamos por tu e que nos co…

Quem sente?

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- Está ai alguém? - Pergunto no silêncio da noite.
E lá estava ela, frente a frente comigo e quando lhe tentava tocar, tornar-me sua, ela fugia. Dava um passo atrás e eu nunca a agarrei. Ela ria, gozava comigo, eu que já nem os pés no chão conseguia colocar. As pessoas andavam à minha volta, como jogos de criança, mas entre lágrimas e clemências a qualquer coisa, sem me ouvirem, sem me tocarem por medo que eu parta. Parta nos dois sentidos. Tinham medo que eu me quebra-se e medo que eu morresse. Essa morte que frente a frente competia comigo e era um jogo mais que viciado, nunca começou com um 0-0. Eu comecei sempre a perder, como se jogasse sobre a lama onde jogava futebol em tempos de criança. E eu ia, ao colo da vida. Os pés já não sentiam o chão, os meus pulmões mal sentiam o ar, o meu coração deixou de bater para ir batendo, a minha vida deixou de viver. E eu morri mesmo antes de ser declarado. Sabem que isso é possível? Chama-se sobreviver quando nos falha a voz, a respiração …

Dois cafés, por favor.

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- Para sempre é muito tempo. - Ouvi dizer. E vivi todo o tempo como se fosse o último.
Tudo é temporário, o sol desvanece por entre as ondas do mar em todos os finais de dia. A lua desvanece no céu em todos os amanheceres. A chuva escasseia no verão e o calor esfria no inverno. Todas as horas passam e nenhuma é igual à anterior. A fita não rebobina, e dizem os que não vivem "quem me dera que rebobinasse". Só existe uma coisa superior a nós, o tempo. Esse maldito e bendito tempo, que nos limpa as lágrimas, nos sara as feridas e por outro lado nos eterniza as cicatrizes e nos enche de saudade. Saudade que não permite esquecer, o bom e de igual modo o mau. Engraçado como na maioria das vezes dizemos que choramos de saudade e eu já chorei de tanto rir de saudade. Daqueles momentos que queremos rebobinar, mas esquecemo-nos que podemos sempre repetir, melhorar, eternizar sem data marcada. Existem conversas pela noite dentro que ninguém nos pode roubar, por muito que acabemos por …

Corpo de papel.

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- Não tenhas medo e liberta-te. - Digo-te nos olhos.

Vives numa constante gaiola onde tu te prendes na tua própria pessoa, onde tu te privas de ser tu mesma pelo que os outros conseguem ver, vão falando e se esquecem entretanto. Vais vivendo com medo de te mostrar, mostrar quem tu és. E se tu não te amas como te vais permitir ser amada. Se tu não olhas o teu corpo como te vais permitir ser olhada. Se tu não te respeitas tal como tu és ninguém será capaz de o fazer. Esquece esses modelos, foge dessa moda padrão, foge disso que é feito ao pormenor. Ninguém acorda como sai à rua. Não é porque a sociedade vai comentar, é tudo uma questão de confiança, por gosto, porque simplesmente quer gostar ainda mais de si. Mas dentro dessa pessoa que tu és tens que gostar de ti independentemente da máscara, da roupa ou da maquilhagem. Todos temos coisas que não gostamos em nós, aquela cicatriz no sitio errado, o peito que não é tal e qual sonhamos, o musculo que não está bem trabalhado, o pé que não…

Voltei para ser feliz, sozinha.

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- Há lugares que nos marcam e que fazem a cassete rebobinar e voltar ao tempo onde eramos felizes.

Voltei a todos os lugares onde fui feliz, com pessoas que não sou mais. Obriguei-me a encarar a realidade do fim e de um novo início. Perceber que locais são apenas locais e que pessoas são apenas pessoas. Conseguir criar novas memórias a par com aquelas que fui vivendo e que hoje desbotaram a cor, são mais transparentes, mais gastas, mais pretas e brancas, esquecidas. E ao longo do tempo vão mesmo cair no esquecimento. Mas só caem se conseguir passar naquele sitio e lembrar-me de coisas além de ti, além daquele dia, além daquele jardim. Se me conseguir lembrar de coisas sobrepostas a isso tudo, mesmo que me continue a lembrar que foi ali que existimos e criamos um mundo, que não sobreviveu. Voltei ao sítio onde fomos felizes para ser feliz de novo e em cada recanto do pôr-do-sol descobrir um novo motivo para ser feliz ali, sozinha. Porque eu não vou limitar a minha vida de locais, eu nã…

Olhos azuis aguarela.

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" 'Cause I miss her Even though she's still here
Is this pretend?
Will she really not know my face?"


Jessie J - Miss Her
- Eu estou aqui! - Gritei sem saber quem era eu na realidade.
O espelho reflete quem tu vês, as rugas que me cobrem o rosto mostram a vida pesada que fui vivendo, as crianças que fui educando, os campos que fui semeando. Hoje já nem sei quem sou. Dentro desta escuridão que tenho dentro de mim perdi-me e nem sei quem está aqui. Sinto toques, sinto corpos pequenos, sinto corpos fortes de quem vejo tão pequeno dentro de mim. Quem és tu? Sinto um grito que não sai, está a sufocar-me, sinto um sopro no coração e apercebo me que ainda bate. Onde ficou a minha trança longa, os meus olhos azuis pintados a aguarelas. Onde estão os meus pequenos a correr no quintal e eu a resmungar com eles do alpendre. Onde me vejo de novo. Cá estou eu, sei que nada passa de uma ilusão, mas voltei a esta varanda para vos ver todos de novo, em casa, a serem crianças. A minha …

Dias e dias.

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- Há dias e dias.

Há dias em que acordas como se vivesses um sonho, achas te alguma coisa em concreto no mundo, bonita, forte para lutar contra tudo e contra todos. Sentes te capaz de vestir aquele vestido ousado que nunca tiraste da gaveta, colocar aquele batom vermelho e arrasar simplesmente pelas ruas da cidade. E depois há aqueles dias em que acordas sem te apercebes que acordaste. Vais te vestindo, vais andando, vais vivendo. Procuras uma mão amiga em coisas pequenas e fictícias, como uma música, um cappuccino , um passeio à beira mar, um respirar fundo. Há dias em que acordas mesmo triste, com um peso bruto nos ombros que não te consegues desalagar, uma bolha que não deixa ninguém chegar perto e reages mal a quem tenta. Há dias assim, que só queres que não existam, passar o dia na cama, mergulhada na solidão de um quarto, com uma música que te vai deprimir ainda mais e que não te vai fazer sair de casa. Assim se passam dias tristes, de mão dada com a tristeza, abraçada à melan…